sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Séries" - Luck


Se ainda existiam dúvidas sobre a qualidade da produção televisiva norte-americana e de como essa vem suplantando em diversos momentos a produção de cinema do país, essas dúvidas ganham mais razões para serem dirimidas com “Luck”, a nova série da HBO. Concebida por David Milch da ótima “Deadwood”, teve o piloto dirigido por Michael Mann de “Colateral” e “Inimigos Públicos”, que também assina a produção executiva junto com notáveis como o experiente roteirista Eric Roth de “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

E não é só atrás das câmeras que “Luck” se destaca inicialmente. O elenco é formado por atores de talento inegável e reconhecido como Dustin Hoffman e Nick Nolte, além de outros como Dennis Farina (“Snatch – Porcos e Diamantes”), Richard Kind (“Um Homem Sério”), Kevin Dunn (da franquia “Transformers”), Jill Hennessy (“Lei e Ordem”) e W. Earl Brown (“Deadwood”). Um verdadeiro timaço que começou a se apresentar no Brasil no dia 05 de fevereiro e assim segue às 22 horas de domingo na HBO.

A história se expande através de Chester “Ace” Bernstein (Dustin Hoffman), um mafioso que depois cumprir pena de alguns anos, sai em busca de retomar a sua vida, mas sai principalmente em busca de vingança. Ele foi preso para encobrir parceiros da máfia que dominam as apostas de modo geral em Los Angeles, incluindo aí cassinos e particularmente corridas de cavalo, o real interesse da série. Boa parte dela se desenvolve dentro de cocheiras sujas, das pistas de areia do hipódromo e dos bares da redondeza.

Com poucas exceções, a totalidade dos personagens de “Luck” está envolvida ou em um fracasso retumbante e tenta se reerguer, ou está desesperada por alguma fórmula mágica que lhes traga fortuna, ou ainda se perdem em uma vida com intrigas e sem alegrias. Alguns estão desesperados, inclusive. Bons exemplos são os quatro amigos que acertam a sorte grande em um dia, o jockey que tenta a todo custo voltar para os dias de glória e o estupendo agente gago que tenta vender suas “mercadorias” de forma incansável.

“Luck” já teve a segunda temporada confirmada (a primeira terá 9 episódios), porém não está imune a desafios, uma vez que por estar vinculada a uma área muito fechada de ação e utilizar nos diálogos vários termos técnicos, corre o risco de ficar monótona e desestimulante. Por enquanto, no entanto, coloca um bom corpo de vantagem nessa corrida específica e tem tudo para se consagrar como mais uma produção de alto nível dentro do cardápio de excelência da HBO, e por conseguinte da televisão.

Nota: 8,5

Site oficial com vídeos e informações: http://www.hbomax.tv/luck

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

"A Visita Cruel do Tempo" - Jennifer Egan


Quantos sonhos você já não deixou para trás? Mesmo se não chegavam a ser sonhos, digamos que quantas quimeras formuladas na adolescência e juventude? Quantas vezes seus vícios, ou a simples necessidade de ganhar dinheiro, fez com que projetos fossem abortados? O quanto isso ainda te assombra ou desanima? Será que ainda existe tempo para voltar atrás e começar de novo? Ou pelo menos escrever as coisas de modo diferente a partir do dia que de hoje?

Perguntas, perguntas, perguntas. Todas envolvendo a vida da maioria das pessoas que habitam o mundo desde que ele existe aliado ao indefectível tempero do tempo, que pode ser benéfico, mas que também serve de cemitério para ambições e desejos. Ao ler “A Visita Cruel do Tempo” da escritora estadunidense Jennifer Egan, todos esses questionamentos se alinham, envolvidos com roupas soturnas e dramáticas, salpicados com um leve colorido de esperança.

Lançado pela Editora Intrínseca (338 páginas) em janeiro desse ano no país, a obra saiu originalmente em 2010 nos EUA e rendeu elogios demasiados e prêmios como o renomado Pulitzer. E pode-se afirmar que foram devidamente merecidos. “A Visita Cruel do Tempo” expõe diversos personagens em pontos distintos do passado, presente e futuro, e faz estes se correlacionarem de maneira sutil e casual, administrando e sofrendo em cima dos rumos escolhidos.

Começa com a assistente particular de um produtor musical de sucesso, que esconde uma juventude problemática e tenta lidar com a solidão atual e com a cleptomania que a assola e parece não ter cura. Depois se afasta para esse produtor, que de um medíocre baixista de uma banda punk no começo dos anos 80, vira uma espécie de Midas do rock ao descobrir e elevar para o estrelato um grupo que tem na figura do incendiário guitarrista, o carro chefe que lhe guiava.

Em cima desses indivíduos, Jeniffer Egan adiciona outros forjando ligações entre amigos, parentes e contemporâneos, para depois sugar todas as forças deles e arremessá-los em uma vida, na maior parte dos casos, trágica e completamente sem graça. O tom do livro é inteligente, distinto e engraçado, e por usar o universo da música (e o do rock mais especificamente) acaba passeando por todos os excessos e artimanhas que são inerentes a esse universo.

Alternando a escrita com várias maneiras de narrativa, cria uma obra que merece ser chamada de fascinante. Suas ligações e análises que ficam sentadas calmamente na conversa mais ampla, tratam sobre aquilo que talvez seja mais caro a cada ser humano, que é o passar do tempo e a oportunidade e momento histórico de fazer as coisas acontecerem, como também o poder que cada decisão impõe. É um livro raro, para ser admirado e pensado em todas as suas tristezas e melancolias.

Nota: 9,5

Site da autora: http://jenniferegan.com

A editora disponibilizou o primeiro capítulo para leitura. Veja aqui.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Música: Van Halen e Leonard Cohen


Eddie Van Halen tinha na cabeça a exata dimensão do que podia representar o próximo disco de sua banda, que desde o fraco e insosso “Van Halen III” (com Gary Cherone do Extreme nos vocais) não lançava nada inédito. Podia ser um retorno ao topo do mundo do rock, ainda mais com a volta de David Lee Roth para os vocais a partir de 2007, ou então viver decididamente do passado glorioso e sair lucrando turnê após turnê apenas com o poder do nome.

“A Different Kind Of Truth” que chega às lojas esse ano, caminha na direção desse regresso, mesmo que a banda tenha utilizado para as 13 canções que compõem o álbum,  várias ideias antigas resgatadas em demos e reformuladas. O resultado é bom e traz a bateria de Alex Van Halen bem azeitada com o baixo de Wolfgang Van Halen (filho de Eddie, que estreia em disco), para que os famosos solos do líder ecoem com categoria (como em “Blood And Fire”).

O grupo acerta a mão principalmente em faixas como “Tattoo”, “She's The Woman” e “The Trouble With Never” e faz uma volta digna, íntegra e respeitável. Que permaneça assim.

Nota: 8,0

Site oficial: http://www.van-halen.com

Leonard Cohen está com 77 anos. Tempo suficiente para influenciar um bocado de gente e descansar. No entanto, depois de anos sem lançar nenhum disco novo (o último foi “Dear Heather” de 2004), ele se viu com a necessidade financeira de lançar um trabalho inédito, depois de dois registros de apresentações ao vivo. “Old Ideas” é um compêndio de canções que joga na mesa os mesmos temas trabalhados na carreira, mas com um olhar mais extenuado, mais fatigado.

São 10 faixas que começam na cínica “Going Home”, onde Cohen se permite chamar de bastardo preguiçoso e vai para a tristeza redentora de “Amen” e a narrativa confusa de “Show Me The Place”, para depois beber sombras em “The Darkness” e suplicar por amor em “Anyhow”. “Crazy To Love You” mistura loucura e amor, enquanto “Come Healing” é quase uma canção de igreja. Para fechar, “Banjo” busca salvação, “Lullaby” é cheia de dúvidas e “Different Sides” trata de fé e compreensão.

Leonard Cohen parece saber que esse é o seu último registro. Letras como “eu sei que meus dias são poucos, o presente não é tão agradável, só um monte de coisas para fazer” atestam isso. E se isso for realmente verdade, “Old Ideias” é um belo testemunho final.

Nota: 8,5


Assista ao clipe de “Tattoo” do Van Halen:


Assista ao clipe de “Show Me The Place” de Leonard Cohen:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Séries - "Alcatraz"


Nos últimos cento e poucos anos, a Ilha de Alcatraz, situada no meio da Baía de São Francisco nos Estados Unidos, passou de base militar para uma prisão famosa, até chegar na atração turística que hoje representa. Em cima dessa ilha e usando a prisão que um dia lá se abrigou é que Elizabeth Sarnoff (“Lost”), Steven Lilien (“Kyle XV”) e Bryan Wynbrandt (também de “Kyle XV”) criaram a nova série produzida pelo onipresente J.J. Abrams.

“Alcatraz” passa no canal da Warner toda segunda feira às 22 horas e procura envolver ação policial com jogos de detetive e um grande e não revelado mistério responsável por todo o desenvolvimento da trama. Esse mistério envolve essencialmente o estranho (e absurdo) desaparecimento de 302 pessoas quando a prisão fechou em março de 1963. Nos dias atuais esses sumidos começam a dar a cara sem explicação aparente ou plausível.

No comando da obscura força-tarefa federal que visa solucionar esses casos e prender novamente os perigosos indivíduos que estão a solta, está Emerson Hauser (o experiente Sam Neill), um policial que trabalhava na época do acontecido. Ao seu lado, por necessidade ou mesmo motivos ainda não revelados, está a detetive Rebecca Madsen (a bela Sarah Jones de “Sons Of Anarchy”) e o Dr. Diego Soto (o Hurley de “Lost”, em boa atuação).

Cada episódio leva o nome de um dos “perdidos” e abrange a busca para encontrá-lo, assim como entender as causas do não envelhecimento e os motivos das ações que eles vem efetuando. Com boas doses de ação e soluções bem boladas nesse início, a série consegue agradar e até mesmo fazer o espectador tomar parte do enigma que apresenta. No entanto, já fica claro que essa fórmula facilmente será esgotada ainda na primeira temporada.

Esse evidente esgotamento futuro, passa pelo cansaço da repetição, assim como pela extensão de temporadas que se visualiza. Caso os produtores e roteiristas direcionem a série para outro patamar, que pode até trocar totalmente de foco se optar em tratar do mistério sem alongamentos desnecessários e novas perguntas junto com as respostas (o que aconteceu com “Lost”, por exemplo), pode-se esperar mais. Porém, isso é um assunto mais para frente. É bom ir com calma.

Nota: 7,0

Site oficial da série no Brasil: http://www.warnerchannel.com/series/alcatraz

Assista a um trailer: 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"Tudo Pode Mudar" - Jonathan Tropper


Em uma balada do disco “Analogue” de 2005 chamada “Birthright", Morten Harket do A-ha canta, depois de algumas considerações sobre a vida, que “tudo muda com o tempo”. Assertiva simples e até mesmo banal, mas que é passível de ser empregada como uma trilha sonora imaginária de um livro do escritor Jonathan Tropper, lançado este ano pela Editora Arqueiro (um espécie de braço da Sextante) com 230 páginas e tradução de Simone Reisner.

“Tudo Pode Mudar” (“Everything Changes”, no original), foi escrito antes de “Como Falar Com o Viúvo”, a divertida obra do autor que saiu por aqui em meados de 2010, e exibe muitas coisas em comum com essa, como a auto-piedade do personagem principal e a inquietação contínua referente ao rumo que a vida tomou, além do fato que ambos distribuem suas incertezas rodeados em um conforto de moradia e despesas cotidianas.

No livro, Zachary King passou recentemente pelos 30 anos e tem mais ou menos a vida encaminhada. Um trabalho razoável (apesar de desestimulante) e um noivado com uma bela e inteligente mulher. Porém, por trás disso residem coisas mais nubladas. Primeiro a família despedaçada, desde que o pai foi despejado pela mãe por causa de adultério, e em segundo a morte do melhor amigo em um acidente de carro, que ainda lhe enche de culpa.

Mas ainda que essas incertezas encham o peito de Zachary King, tudo continua caminhando praticamente do mesmo jeito, até que um turbilhão de situações se encontram e dão ínicio as mudanças que o título se refere (até um possível câncer resolve aparecer). Com um bom desenvolvimento dos coadjuvantes, o autor faz que com que o livro sobreviva bem sem precisar tanto do carisma (quase inexistente) que o protagonista exibe nas páginas.

“Tudo Pode Mudar” utiliza da premissa de contar pequenas tragédias de maneira leve, ocupando o espaço com circunstâncias constrangedoras e passagens cômicas. Escondido nessa premissa está o propósito de mostrar que toda hora é hora para se tomar decisões que alterem uma vida que não está fazendo bem, mesmo que isso não seja necessariamente bom a curto prazo. Parece trivial, mas a vida real nem sempre é fácil como uma canção. Ou um livro.

Nota: 7,0

Sobre “Como Falar Com Um Viúvo”, passe aqui.

Site oficial do autor: http://jonathantropper.com                                      

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"Os Descendentes" - 2012


Pegue a dupla Miles e Jack de “Sideways – Entre Umas e Outras” de 2004 e misture com o Warren Schmidt de “As Confissões de Schmidt” de 2002 e com o Jim McAllister de “Eleição” de 1999. Todos eles são personagens de filmes do norte-americano Alexander Payne, interpretados por Paul Giamatti, Thomas Hadden Church, Jack Nicholson e Matthew Broderick, respectivamente. Dessa mistura você provavelmente identificará algumas semelhanças com Matt King, o protagonista do novo trabalho do cineasta.

Esse protagonista é vivido (muito bem) por George Clooney nas paradisíacas paisagens do estado do Havaí, as quais “Os Descendentes” não cansa de mostrar. Afinal, quando se imagina o arquipélago de ilhas da região, logo vem a mente praias, sorrisos, surfe, férias e mulheres dançando graciosamente com colares coloridos no pescoço. Porém, para quem leva a vida por lá, os problemas e sofrimentos diários de qualquer cidade são os mesmos, independente se são amenizados por causa do visual ou do clima mais descontraído.

É fazendo contraponto entre a beleza natural e os dramas cotidianos, que Alexander Payne faz aquele que pode ser considerado como o seu melhor filme. A sua maneira de fazer cinema retorna mais precisa ainda, investindo como sempre nas pessoas e na maneira que elas arrumam para lidar (ou não) com as broncas que lhe aparecem diariamente, ou mesmo aquelas que caem do céu, como é o caso de Matt King, que de uma hora para outra vê a esposa (Patricia Hastie) definhar em uma cama devido a um acidente de barco.

Na verdade, a relação já não era lá essas coisas, uma vez que a maior preocupação do patriarca da família era o trabalho de advogado e a venda de uma imensa área virgem que envolve diretamente todos os parentes, que herdaram essas terras por conta de um casamento entre um homem de negócios e uma princesa nativa (daí o nome do filme). Agora, além de ter que não enlouquecer com o mundo, Matt King ainda precisa começar a cuidar de duas filhas (Shailene Woodley e Amara Miller), que mantinha uma delicada distância.

O roteiro feito em seis mãos pelo diretor com Nat Faxon e Jim Rash é baseado em novela do escritor Kaui Hart Hemmings e consegue envolver o espectador com as questões que apresenta de maneira sutil e silenciosa, assim como já visto em trabalhos anteriores. “Os Descendentes” equilibra bem a forte carga de emoção com algum humor ao atravessar as adequações, traições, medos, dúvidas, raivas e ganância que ostenta. No final, mostra que cada um carrega consigo uma quantia certa de dor, independente do éden ou inferno que habite.

P.S: O longa é do ano passado, mas estreou aqui em 27 de janeiro de 2012. Venceu 2 Globos de Ouro e está concorrendo ao Oscar em 5 categorias.

Nota: 9,0

Assista ao trailer:


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"J. Edgar" - 2012


John Edgar Hoover foi uma das principais personalidades dos EUA no século passado. Indiscutivelmente. No comando do FBI (Federal Bureau of Investigation) fez fama, jogou perigosamente com seus demônios pessoais, espalhou medo e acumulou desafetos. Ao falecer em 2 de maio de 1972, deixou para trás uma organização estruturada e moderna para os padrões da época, como também um caminho permeado por chantagens e desvios costumeiros da lei.

Clint Eastwood tinha então em suas mãos um personagem repleto de nuances e facetas para retratar em um filme. Em “J. Edgar” lançado lá fora no ano passado e estreando aqui agora, o experiente e habilidoso diretor tenta priorizar mais o lado humano do que os famosos e abundantes conflitos pessoais comandados sobre a mão de ferro do FBI. No entanto, acaba não conseguindo o objetivo desejado tanto pela pouca intensidade, quanto pelas opacas atuações.

Leonardo DiCaprio foi escolhido para interpretar o papel principal e dá uma reduzida na progressão de qualidade que demonstrou nos últimos trabalhos, mesmo se aproximando um pouco da sua atuação como “Howard Hughes” em “O Aviador” de 2004. Nos demais papeis apresentam-se trabalhos igualmente medianos como Naomi Watts como a secretária pessoal Helen Gandy, Armie Hammer como o amigo de trabalho (e de outras coisas mais) Clyde Tolson e até mesmo a quase sempre ótima Judi Dench como a mãe protetora e confidente Anna Marie Hoover.

Porém, apesar dessa carga moderada, o longa serve para demonstrar a personalidade controladora, paranóica e solitária que perseguiu estrangeiros, artistas e negros, em prol de uma visão contorcida do bem estar da população norte-americana. Aquela velha história dos fins justificarem os meios. Além de mostrar parcialmente as brigas internas para controlar as emoções em relação a Clyde Tolson que transitavam entre o amor (existente e) não declarado e a amizade. 

“J. Edgar” tem seus méritos na competente parte técnica e na recriação da época (exceção feita ao péssimo trabalho de maquiagem), mas esbarra em uma direção pouco inspirada de Clint Eastwood e um roteiro escasso de brilhantismo de Dustin Lance Black de “Milk – A Voz da Igualdade”, como também é escassa a atuação dos atores envolvidos. Para um cara que deixou uma marca tão forte nos EUA e atravessou 8 presidentes, esperava-se que o resultado alcançado fosse bem melhor.

Nota: 6,5 

Assista ao trailer:


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Top Top - Os Melhores de 2011


Salve, salve minha gente amiga...

2011 chegou ao fim exatamente um mês atrás e como de costume publicamos nossa listinha de melhores discos e músicas nesse dia. O nosso tradicional “Top Top” parte para o 6º ano seguido, sempre com o objetivo de dar um panorama geral (na nossa opinião, evidente) do que aconteceu no ano que se encerrou.

O ano que ficou para trás apresentou uma grande quantidade de bons discos nacionais e trabalhos nem tão inspirados assim oriundos lá de fora, por mais que alguns poucos álbuns tenham sido bem acima da média.

Eis a nossa listinha:

TOP 25 - DISCO NACIONAL

1 – O Segundo Depois do Silêncio – Los Porongas
2 – Que Isso Fique Entre Nós - Pélico
3 – Liebe Paradiso – Celso Fonseca e Ronaldo Bastos
4 – Peixe Homem – Madame Saatan
5 – Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa – Mundo Livre S/A
6 – Horizonte Vertical – Lô Borges
7 - Música Vulgar Para Corações Surdos – Harmada
8 - Samba 808 – Wado
9 - De Verdade – Nevilton
10 – Música Crocante – Autoramas
11 - Passo Torto – Passo Torto
12 – Memórias Luso/Africanas – Gui Amabis
13 – Um Labirinto em Cada Pé – Romulo Fróes
14 – Humanish – Humanish
15 – O Inevitável – Tomada
16 – De Pai Para Filha – Marya Bravo Canta Zé Rodrix – Mayra Bravo
17 – Odiosa Natureza Humana - Matanza
18 – Desconocidos – Quarto Negro
19 – Longe de Onde – Karina Buhr
20 – Veroz – Maglore
21 – Nó Na Orelha – Criolo
22 – Veraneio – Eddie
22 – Um Futuro Inteiro – Bonifrate
24 – O Inevitável – Tomada
25 – Ferro-Velho de Boas Intenções – Beto Só

TOP 25 - MÚSICA NACIONAL

1 – Não Éramos Tão Assim – Pélico
2 – Respira – Madame Saatan
3 – Amigo Nenhum – Matanza
4 – Avenida Dropsie – Harmada
5 – Dois Lados – Los Porongas
6 – Um Passo Por Vez – Jair Naves
7 – Não Existe Amor em SP – Criolo
8 – Ela É Indie – Mundo Livre S/A
9 – French Doll – Team.Radio
10 – Com a Ponta dos Dedos – Wado
11 - Ballet da Vida Irônica - Nevilton
12 – Você Não Sacou - Celso Fonseca e Ronaldo Bastos
13 – Xananã – Lô Borges
14 - Estou Bem Mesmo Sem Você – Aeroplano
15 – Fora de Área – Kassin
16 – Carlos e Cecília – Harmada
17 – Chalala – Blubell
18 – Todos os Amores São Iguais – Maglore
19 – Silêncio – Los Porongas
20 – Tanto - Humanish
21 – Réu Primário – Tonho Crocco
22 – Velha e Louca – Mallu Magalhães
23 – Eu Vou Comprar Esse Disco – Marya Bravo
24 – Amigo Comprimido – Lê Almeida
25 – Superficial - Autoramas

TOP 25 - DISCO INTERNACIONAL

1 – The King Is Dead – The Decemberists
2 – Dynamite Steps – The Twilight Singers
3 – Collapse Into Now – R.E.M
4 – Wasting Light – Foo Fighters
5 – The Impossible Song & Other Songs – Roddy Woomble
6 - Noel Gallagher’s High Flying Birds – Noel Gallagher’s High Flying Birds
7 – El Camino – Black Keys
8 - Arabia Mountain – Black Lips
9 – Belong - The Pains of Being Pure at Heart
10 - Pull Up Some Dust and Sit Down – Ry Cooder
11 - Several Shades of Why – J Mascis
12 - The Whole Love - Wilco
13 – 21 - Adele
14 - Lie, Cheat and Steal – US3
15 – III - Chickenfoot
16 - Mirror Traffic - Stephen Malkmus and The Jicks
17 – Revelator – Tedeschi Trucks Band
18 – Mapas – Vertusta Morla
19 – Showroom of Compassion - Cake
20 – Kaputt – Destroyer
21 – Last Words: The Final Recordings – Screaming Trees
22 – This Is Only a Test – Smoking Popes
23 – The Party Ain’t Over – Wanda Jackson
24 – Suck It And See – Arctic Monkeys
25 – Pressure & Time – Rival Sons

TOP 25 - MÚSICA INTERNACIONAL

1 – Rolling in the Deep – Adele
2 – Down By The Water – The Decemberists
3 – The Death Of You And Me – Noel Gallagher
4 – On The Corner – The Twilight Singers
5 – Gather The Day – Roody Woomble
6 – These Days – Foo Fighters
7 – Midnight in Harlem – Tedeschi Trucks Band
8 – Lonely Boy – Black Keys
9 – Midnight in Harlem – Tedeschi Trucks Band
10 - I Am Trying to Break Your Heart – JC Brooks & The Uptown Sound
11 – Wild Weast – US3
12 – No Banker Left Behind – Ry Cooder
13 - Run Away With The Sun – Bob Scheneider
14 – Überlin – R.E.M
15 – Senator - Stephen Malkmus and The Jicks
16 – Sick Of You – Cake
17 – Miracle Worker – SuperHeavy
18 – Lo Que Te Hace Grande – Vetusta Morla
19 – Gunshots – The Twilight Singers
20 – Heart in Heartbreak – The Pains Of Being Pure At Heart
21 – Take The Righ Road – Blind Boys Of Alabama
22 – Thunder Of The Mountain – Wanda Jackson
23 – Lotus Flower – Radiohead
24 – Make It Right – J Mascis
25 – Piedras – Fábian

Paz sempre!!

P.S: Para ver como fechou o “Top Top” de 2006 para cá, é só clicar aqui.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Música: Shonen Knife e Ronan Keating


A japonesa Naoko Yamano completou no ano passado, 30 primaveras empunhando sua guitarra e cantando na banda Shonen Knife. Única integrante da formação original (hoje a banda tem Ritsuko Taneda no baixo e Emi Morimoto na bateria), ela resolveu enquadrar em um só disco, a sua banda principal e uma espécie de projeto paralelo onde só toca canções de um dos pilares do punk. O resultado é “Osaka Ramones: A Tribute To The Ramones”.

Produzido por Robby Takac do Goo Goo Dolls (o que não ajuda, convenhamos), o disco não traz nenhuma surpresa. Todas as 13 canções são executadas exatamente como as originais, o que se por um lado representa minutos garantidos de diversão, por outro não acrescenta absolutamente nada na carreira de nenhum dos envolvidos, assim como dos homenageados. Deve ser entendido apenas como uma brincadeira de fã para ídolos confessos.

Mesmo assim, é impossível classificar como ruim um disco que traga clássicos como “Blitzkrieg Bop”, “Rockaway Beach”, “Sheena Is a Punk Rocker” e “Psycho Therapy”. Dê uma chance.

Nota: 6,0

Twitter:  http://www.twitter.com/ShonenKnife        

O maestro Burt Bacharach constantemente tem suas canções regravadas e aqui e acolá ganha um tributo. Dessa vez a história foi um pouco diferente, pois ele próprio procurou alguém para interpretar suas canções e também ajudou nos arranjos e na produção. O escolhido foi o irlandês Ronan Keating, ex-integrante da boy band Boyzone, que assim como vários outros membros de grupos do tipo, resolveu partir para a carreira solo.

O álbum traz no repertório 10 canções que vão de pérolas como “The Look Of Love”, “Walk On By”, “I'll Never Fall In Love Again” e “Artur's Theme (The Best That You Can Do)”, até coisas mais recentes como “This House Is Empty Now” do (ótimo) disco feito em parceria com Elvis Costello em 1998. Com uma voz agradável, Ronan Keating se põe a prova em um grande desafio, o qual ultrapassa razoavelmente, mesmo que sem nenhum brilho.

“When Ronan Met Burt” é o típico disco que poderia ter sido evitado e serve somente para iniciantes na música de Burt Bacharach procurarem atuações mais vibrantes. Nada muito além disso.

Nota: 5,0



sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

"Histórias Cruzadas" - 2012

A busca pela igualdade, ou a simples conquista, dos direitos civis objetivando o fim da segregação racial imposta aos negros nos Estados Unidos rendeu ótimos filmes no decorrer da história do cinema como “Mississipi em Chamas” (1988) de Alan Parker, entre tantos outros. O ator e diretor Tate Taylor investiu nesse período histórico para elaborar o seu mais recente trabalho, “Histórias Cruzadas” (“The Help”, no original).

Baseado em best-seller de Kathryn Stockett (amiga de infância do diretor), o filme retorna a década de 60 para a pequena cidade de Jackson no estado do Mississipi. Nessa cidade encontra a jovem Skeeter Phelan (Emma Stone de “Superbad”) inquieta com suas ambições e com o mundo que está a sua volta. Recém formada, quer de todas as formas ser escritora, nem que para tanto comece no pequeno jornal da cidade natal.

O começo de Skeeter passa por uma coluna direcionada para as mulheres negras da região, que atendem a esmagadora maioria das casas dos brancos. Em um período conturbado, onde em uma cidade sulista do porte de Jackson o tratamento para os negros era desumano e repleto de soberba e maldade, a incipiente escritora que reside em Skeeter vê a chance de publicar uma história comovente e que faça justiça as fontes escolhidas.

Ela convence Aibileen Clark (Viola Davis de “Dúvida”) a contar sua vida e a maneira com que os brancos se "dignam" a conviver diariamente. Logo em seguida, a falastrona e divertida Minny Jackson (Octavia Spencer de "Sete Vidas") também se põe a falar devido a insuportável convivência com sua patroa Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard de “Manderlay”) e suas amigas, como a insossa e patética Celia Foote (Jessica Chastain de “A Árvore da Vida”). 

“Histórias Cruzadas” tem um cuidado impecável ao recriar o momento em que se situa, até mesmo porque tanto o diretor quanto a escritora (que também assina o roteiro) foram criados na região. As roupas, o jeito que as pessoas se comportam, a hipocrisia de um modo de vida repleto de aparências e raso de coisas válidas e importantes, se configura como o grande destaque, acima inclusive das boas atuações individuais.

No entanto, apesar das suas qualidades, o longa distribui superficialidade e não escapa de parecer um pequeno conto de fadas. Nesse pequeno conto de fadas é a jovem branca e cheia de ideias e amor no coração que vem salvar (ou aliviar, que seja) a vida de sofridas mulheres negras. Percebe-se que o buraco é mais embaixo e ao optar por seguir esse caminho, o filme acaba desmerecendo aquelas que visa honrar.

É inegável que “Histórias Cruzadas” é bonito e bem feito, e que ao decidir deixar a política de lado e se concentrar apenas nos aspectos pessoais, se configura em um produto palatável e com forte carga de emoção para as massas. A prova disso são as indicações para o Oscar desse ano. Porém, contudo e todavia, Tate Taylor se utiliza de uma moral um tanto duvidosa para servir de vestimenta nas suas boas intenções.

Nota: 7,0

Assista ao trailer: